Janeiro de 2009

By Bicicletada Guarapuava

O último sábado de janeiro deixou uma pergunta:  Guarapuava está pronta para a Bicicletada?

Parece que, apesar dos esforços, a maioria das pessoas continua com a visão errada de ser um passeio, de ser perda de tempo, de ser apenas uma forma de chamar atenção e satisfazer o ego… A cidade é pequena, sim, mas o tráfego de carros é -relativamente- grande e os acidentes de automóveis acontecem o tempo todo, mas isso não faz com que levantem algum questionamento. Os moradores acham absurdo um grupo de jovens propor que a bicicleta pode ser melhor que o carro porque baseiam-se somente na estrutura tecnológica, no status e  no valor monetário para definir “melhor”.

Com certeza, isso não é um problema local. Em todos os lugares do mundo existe essa mentalidade e, por isso, talvez seja exagero escrever assim, mas o pessimismo que abalou os participantes da bicicletada no dia 31 permite isso. Não há adesão, não há interesse e não há expansão. É como se a bicicletada se limitasse a um grupo de amigos e isso é muito desanimador.Já era certo que por ser período de férias iria pouca gente, mas em nenhuma bicicletada anterior tinha sido feito tanta divulgação como nessa.

No decorrer do dia e das conversas chegou-se à conclusão de que o maior problema aqui em Guarapuava é que, tanto as pessoas que assistem como algumas das que participam, não sabem do que se trata e não compreendem o porquê da bicicletada. É preciso trabalhar no esclarecimento, mesmo que não estejam dispostos a escutar, é preciso falar. De outra forma não haverá sentido em continuar.

Ainda que a cidade não esteja pronta para esse tipo de constestação, não quer dizer que ela não precise ter.

Escrito por HJ

6 Respostas para “Janeiro de 2009”

  1. piui Disse:

    bom, eu não estive presente, mas senti o clima…
    acho legal pensarmos em estratégias de expor o problema de mobilidade de uma forma que consigamos atingir as pessoas de guarapuava.

    talvez mais textos, mais reuniões, debates com hora marcada em faculdades.. talvez o horário, etc etc. Nós sabemos que guarapuava tem fama de ser pacata, ser tradicionalista, ser acomodada com tudo, e às vezes isso chega a nós a ponto de desanimar mesmo, porém, sabemos que isso não é verdade. A gente vive uma época que é impossível carregar todos esses adjetivos, mas saber como despertar “outros lados” também é outra história. Dificil é, mas não impossível.. talvez seja hora mesmo de unir forças e nos organizarmos de forma efetiva.

  2. projetopretexto Disse:

    Olá,
    tenho participado esporadicamente da Bicicletada de Curitiba e nesta condição, vendo de fora, percebo que um dos motivos para a expansão do movimento são as outras atividades: organização de debates, exposições, festas, o desafio modal, artigos e textos publicados em jornais, intervenções urbanas. Enfim, de um modo ou de outro a bicicleta está na pauta, ou como também dizem por aqui, está entrando no imaginário das pessoas.
    De qualquer forma, em Curitiba o trânsito é um problema muito maior e mais urgente. Assim um protesto contra os carros em Guarapuava pode não fazer tanto sentido (aparentemente) para as pessoas.
    Abraço e boa sorte!
    Rodrigo.

  3. Nathalia Disse:

    guarapuava sempre sofreu com isso em todos os lados, acho que esta na hora de admitirmos isso e pessarmos no que fazer sobre isso, deixando de lado ressentimentos pessoais do tipo ahhhhh eu faço e ninguem faz e etc, isso pode ate ser verdade, mas leva a gente pra onde.
    Acho que o problema é pratico, ha pouca articulação. Revoltar é justo, se organizar é preciso. Algum tempo tenho pensado nisso, acho que uma coisa legal a ser feita seria começar um coletivo de transporte humano, levantando todas essas questoes, achando espaços onde possam ser feitas discussões, tipo na unicentro. Ou em colegios.
    O negocio é nao desanimar galera, a luta é isso ai mesmo, é tipo subir uma ladeira.
    Abraços a tod@s

  4. jaques brand Disse:

    Faço modesta parte da audaciosa Bicicletada de Curitiba e andei uns tempos em Guarapuava. Acho que aí a barra vai ser muito mais pesada do que na Capital. Há aí um núcleo duro da reação, uma oligarquia comparável à de Ponta Grossa, gente muito orgulhosa, arrogante e anti-social. É a panelinha que dita a moda em Guarapuava, e a moda em Guarapuava é pisar fundo no acelerador e lasquem-se os pedestres e quem mais passar pela frente. Daí esse paradoxo de uma cidade em escala relativamente compacta com acidentes de megalópole, gente morta no trânsito, acidentes pavorosos. Acho que a Bicicletada Guarapuavana precisa: a. formar um núcleo duro que não se intimide com os rosnados dos pittbulls da oligarquia, de preferência um núcleo formado por estudantes universitários; b. discutir por todos os meios de comunicação as políticas de mobilidade c. ganhar aliados na Câmara Municipal, nos Clubes de Serviço, nos Sindicatos d. fazer amigos da bicicleta entre os motoristas de taxi e de ônibus e. formar grupos de discussão em todos os lugares possíveis f. celebrar a bicicleta e o futuro que vem com ela. Abraços, JAQUES BRAND (brandjax@yahoo.com.br)

  5. pedalante Disse:

    Pedalante indica seu blog para receber o Prêmio Dardos.
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    Abraços.

  6. Fabiano Disse:

    ow, o blogue está bem legal mesmo!

    [e de pensar que eu cheguei a falar para não fazer um blogue específico da Bicicletada...]

    Abraços

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